quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Doações de Leite Materno ajudam bebês prematuros no Rio Grande do Norte



Após o nascimento prematuro, Miguel teve que ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal de um hospital privado na cidade de Natal e, desde então, o pequeno é um dos beneficiados com o Banco de Leite Humano (BLH) da Maternidade Escola Januário Cicco, vinculada a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (MEJC-UFRN) e à Rede Ebserh.

Marcelo Medeiros, pai do Miguel, explica que a esposa teve alta enquanto o recém-nascido permaneceu no hospital internado, o que acarretou na baixa produção de leite, devido à falta de estímulo. “Recorremos ao banco de leite da Januário Cicco, fizemos campanha buscando mães que poderiam doar leite para nosso filho e desde então ele se alimenta e sobrevive com o leite que é doado”, afirma.

Juliana Silva, dona de casa e mãe de Maria Evelin, é uma doadora assídua de leite materno e uma das mães que fazem doação para o pequeno Miguel. Ela relata que consegue amamentar sua filha e ainda doar parte do alimento para outros bebês. “Produzo muito leite, amamento minha filha, ela fica satisfeita e ainda faço doação para o banco de leite da Maternidade. Fico feliz em ajudar mães que não produzem leite suficiente para alimentar seus filhos”, relata.

A realidade da família do Miguel é a mesma de tantas outras que concretizam o sonho de ter filhos, porém as mães não conseguem alimentar seus filhos com o próprio leite. Na MEJC, referência em partos de alto risco e cuidados com bebês prematuros, incentivar a amamentação é essencial. Segundo Ana Zélia Pristo, coordenadora do Banco de Leite Humano da Maternidade, o trabalho realizado pela Instituição é contínuo, tanto no que tange o incentivo da amamentação e à doação, como também no auxílio e na orientação às mães.

“Trabalhamos com o SOS Mamas que consiste em auxiliar às mães que apresentam alguma intercorrência no período da amamentação, seja uma pega incorreta, uma fissura na mama, um bebé que recusa o peito ou chora muito quando vai mamar. Mães que precisam fazer ordenha devido à grande quantidade de leite, auxiliamos todas as mães que nos procuram, sejam elas nossas pacientes ou não”, explica.

É o caso de Josimaria da Silva, 29 anos, dona de casa, residente em Itajá, interior do Rio Grande do Norte e mãe de Hisadora que nasceu prematura no dia 21 de junho. A mãe relata que no início chegou a fazer uso do leite disponibilizado pelo banco de leite da Maternidade, mas agora ela mesma já consegue amamentar a filha e que as orientações recebidas pelos profissionais ajudaram muito no estímulo da produção de leite. “No início minha filha tinha dificuldade para pegar o peito, mas agora já está mais fácil. Esta é a segunda vez que sou mãe e confesso que o sentimento de amor é inexplicável, no momento da amamentação, no contato direto que temos com nosso filho, é uma doação mútua”, descreve.

Com relação ao processamento e ao controle de qualidade do leite, Ana Zélia salienta que o banco é responsável por todo o processo de análise, sendo descongelado logo assim que chega ao banco para passar por um processo de seleção e classificação. “Primeiro, é preciso avaliar o aspecto do leite e observar se ele foi armazenado e transportado corretamente, posteriormente é feita a classificação do volume do leite, se ele é colostro ou se já é maduro e logo após avaliamos a quantidade de gordura, já que nem todo leite pode ser dado a qualquer bebê”, ressalta.

“Uma vez feito esse processo, acontece ainda a pasteurização e o controle de qualidade. Só depois de todas essas etapas o leite é congelado e passa a ter uma validade de seis meses”, completa a especialista.

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